quarta-feira, 24 de abril de 2013

Como surgiu a Procissão do Fogaréu em Serrinha?







 Fotos: Arquivo pessoal da estudante de Licenciatura em História pela UAB/UNEB, Margarida Silva - Procissão do Fogaréu de Serrinha 2012

Tasso Paes Franco descreve:



Mil setecentos e vinte e dois e 1723 foram os anos mais sofridos da família Silva [...] no dia de São José, 13 de março de 1723, não se sabe exatamente de quem partiu a ideia , mas depois da landainha um grupo de senhoras da Irmandade do Coração de Jesus da Limeira, sob o comando de Maria, usando capuz azuis  e ostentando o pavilhão da ordem, no qual se destacavam um carneirinho e uma cruz na parte superior, pegou a imagem de Senhora de Sant’Anna e a colocou num andor ornado de flores, tomando a direção do campo das Barrigudas.



Em procissão, aquelas senhoras oravam a todos os santos por chuvas, sendo acompanhadas pelos homens, que conduziam tochas acesas e o crucifixo do Senhor numa haste enorme de madeira, ao qual se seguiam as imagens de São Joaquim e de São José , levadas respectivamente pelos fazendeiros Pinheiro da Mota e João Paes, assim como a de São Jerônimo conduzida pelo comerciante Antonio Nunes.



Aquela gente humilde foi formando um círculo pelo largo, conduzindo imensas tochas que pareciam um fogaréu [...] O certo é que já no dia seguinte à procissão, a chuva veio forte de tal forma que os riachos se encheram d’água, as caatingas ficaram encharcadas e as baixadas pareciam verdadeiros lagos [...] Foram sete dias de chuvas ininterruptas e a fartura se anunciou novamente [...] nasceu a Procissão do Fogaréu, sob a crença daqueles lavradores dos sertões do Pindá de que chuva houve em abundancia pela graça de Deus [...]. (FRANCO, 2003, p. 106 e 107)




Referência:

FRANCO, Tasso Paes. Serrinha, a colonização portuguesa numa cidade do Sertão da Bahia. Salvador, Ojuobá, 2008.

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